:: a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar ::

Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de um surfista. Desde pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio.
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:: Sexta-feira, Janeiro 14, 2005 ::

Em silêncio, ficou a contemplar o mar, as ondas se quebrando sem cessar. E me perguntou: "O que é que o mar faz quando vai dormir?". Era-lhe incompreensível a eternidade do mar. Também me espanto e me pergunto, sem resposta: "Há quanto tempo o mar se quebra alisando a areia?". O mar, a praia, as conchas, o céu, os peixes invisíveis nas profundezas, as gaivotas em vôo me falam da eternidade. Senti-me retornado ao início do mundo (...)"


Rubem Alves - da crônica "Por que não me mudo para Bahia".


:: 11:42 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Quarta-feira, Janeiro 12, 2005 ::

Preciso de uma prece que me liberte de ser completo...

E me liberte dos dentes perfeitos do sorriso na TV. Me liberte da boa forma, spinning, pilates, capoeira, lambaeróbica, caratê, ioga - e iôga. Me liberte dos traços simétricos e do retoque na foto da página central. Me liberte do casal de ocasião nas capas das revistas. Aliás, que me liberte de modelos e jogadores de futebol. Que me liberte das viúvas de Sex and the City e sua compulsão por arrumar um homem - para depois enfileirar seus defeitos e reclamar, reclamar, como eu faço agora. Que me liberte do amor....

... Me liberte da minha sina redundante. Me liberte do lápis que escreve as mesmas palavras. Que me liberte da obrigação de ser coerente. Uma prece que me liberte, não do que me afasta de mim, mas que me liberte de mim mesmo, simplesmente. E me liberte, acima de tudo, da minha própria opinião sobre o que acabei de escrever.

O chuveiro puxa energia demais e desarma o disjuntor velho - a instalação elétrica está tão prejudicada quanto as minhas reflexões. Antes de o banho acabar, a luz apaga e a água esfria. Sento no chão do banheiro, no escuro, sem roupa. Ainda muito longe de ser livre.

Trechos do texto de João Paulo Cuenca, autor do livro Corpo Presente


Corpo presente é o mergulho radical de um homem em suas obsessões. Seu narrador atravessa ruas, noites e mulheres em busca de um amor perdido ou impossível, uma Carmen que não é de ópera ou ficção, mas da Copacabana suja e sedutora, cenário claustrofóbico deste primeiro romance de João Paulo Cuenca.

Tragado pelas noites, ofuscado pelo sol, o protagonista vive um presente contínuo e tenso em busca de sentimentos para sempre perdidos num mundo cínico demais, violento demais, sexualizado demais. Idealista a seu modo, busca a pureza lambuzando-se com as precariedades que a vida lhe oferece.

Tal como os números primos que encimam os fragmentos do texto, os personagens de Corpo presente são divisíveis por eles mesmos e por um. O que João Paulo Cuenca propõe é um jogo de identidades sem vencedores ou perdedores, mas com uma regra rígida, a da escrita como forma de enfrentar a vida.


:: 8:29 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Segunda-feira, Janeiro 10, 2005 ::

Como diz meu brother Tumati...

"Obrigado Senhor!!!"





:: 8:44 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________

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